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Renato Kfouri, diretor da SBIm.(Sociedade Brasileira de Imunização), acredita que o plano nacional de vacinação deve ficar pronto em cerca de 10 dias. Ele declarou isso um dia depois de Ricardo Lewandowski, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), votar para que a conclusão do plano seja apresentada em 30 dias. “Creio que o plano sai antes (dos 30 dias). Na semana que vem, vai haver reunião pra finalizar o plano”, afirmou Kfouri em entrevista à Globonews, complementando depois: “É um trabalho de muita gente e demora um pouco para consolidar. Mas acredito que até o final da semana que vem fica pronto, no máximo 10 ou 15 dias”.

Esse plano será fundamental para estipular como serão as regras de vacinação contra covid-19. Mas por enquanto, mesmo com a esquematização em fase final, não é possível ter muitas conclusões. “É um plano que desenvolve cenários. Porque uma coisa é ter 10 milhões de vacinas. Outra é ter 50 milhões de vacinas. Uma coisa é ter uma vacina que vai bem para idosos. Outra é ter vacinas que não são tão boas. Não conhecemos tudo dos estudos de fase 3 ainda. E isso é crucial. Então esse plano fica em suspensão pelos cenários possíveis. O cenário é dinâmico. O plano é feito em cima de possibilidades, como todo mundo vem fazendo. Os Estados Unidos e o Reino Unido fizeram planos, mas depende da vacina, da quantidade e da logística de transporte”, explicou Renato Kfouri.

Ainda de acordo com Renato, esse plano está sendo elaborado desde agosto e envolve opiniões de muitos órgãos. Além da SBIm e do Ministério da Saúde, também participam desses processos representantes de sociedades científicas, os produtores de vacinas, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os conselhos nacionais, estaduais e municipais, a Organização Pan-Americana de Saúde, a Associação Médica Brasileira, entre outros conselhos e consultores. Willames Freire, presidente do Conasems (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde), falou sobre o assunto ao jornal O Globo e repetiu as informações dadas por Kfouri. “Não sabemos qual será a primeira vacina aprovada, temos que trabalhar com diversos cenários. Não é que o plano atrasou, ele está no tempo de construção e vem sendo feito há alguns meses. Trabalhamos com o cenário de que cada ente vai ter o seu papel fundamental, mas a gente defende que a coordenação desse processo tem que ser no nível central”, explicou Willames. O jornal falou com o Ministério da Saúde sobre o plano de vacinação. A pasta respondeu que definiu dez eixos prioritários que vão guiar a campanha, mas não disse quais. O órgão disse ainda que o PNI (Plano Nacional de Imunização) possui expertise na área e que o ministério “enviará as doses aos estados que farão a logística de distribuição em seus municípios”

Voto de Lewandowski Ricardo Lewandowski votou para obrigar o governo a federal apresentar um plano de vacinação em no máximo 30 dias. No voto, divulgado ontem, ele afirmou que a estratégia deve contemplar a “aquisição e distribuição universal de todas as vacinas disponíveis no mercado interno e internacional, comprovadamente eficazes e seguras”. O ministro também disse que critérios “políticos, partidários ou ideológicos” não podem ser usados para rejeitar imunizantes.

O voto do ministro foi dado nas ações dos partidos Rede e PC do B, que exigem que o governo federal seja obrigado a colaborar com o desenvolvimento de toda e qualquer vacina contra a covid-19 em pesquisa no país. Os partidos foram ao STF por causa de declarações do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), de que não iria comprar vacinas do laboratórios chinês Sinovac – que tem parceria com o governo de São Paulo, comandando por João Doria (PSDB), seu adversário político. As afirmações do presidente poderiam “fragilizar o direito fundamental à saúde”, escreveu Lewandowski em seu voto.

Lewandowski agendou para 4 de dezembro o início do julgamento das ações, que terminará em 11 do mesmo mês. Os demais dez ministros deverão votar no plenário virtual. No entendimento de Lewandowski, não é possível obrigar o governo a comprar um medicamento determinado, mas é “obrigação” do Executivo “planejar e promover a defesa permanente contra as calamidades públicas”, conforme ordena a Constituição.

 

FONTE: UOL NOTÍCIAS

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