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Na semana da consciência negra jovens escritores falam de suas produções, dos processos de criação e da importância do uso da arte como forma de educação e valorização dos povos afros. O escritor africano Nathan Gomes, radicado em Belém desde 2011, vai lançar o livro “Muzumba a Profecia” , no próximo dia 21, às 17h, na livraria Fox, como forma de ampliar fontes de conhecimento a respeito da história e dos povos africanos.

“Nada melhor como a história da África, ou parte dela, ser contada por um Africano”, destaca o escritor. Nathan conta que percebe uma considerável carência nas bibliotecas brasileiras com relação ao conhecimento e a história da cultura africana. Ele exemplifica o fato mostrando que a maior parte da população conhece os negros a partir da colonização do Brasil em 1500 com o tráfico negreiro.

“Não que esse momento não faça parte da nossa história, o problema é que a maior parte dos brasileiros conhecem apenas esse período. É muito injusto o recorte que fazem sobre a nossa cultura”, pondera o escritor.

Diante disso, há três anos ele vem produzindo e escrevendo” Muzumba a Profecia”, que se trata de uma trilogia de ficção que aborda sobre o mito heroico de etnias africanas. Nesse livro, Nathan aborda as etnias Suri e Balanta, o folclore, as crenças e a cultura de um modo geral dessas tribos.

O livro é uma saga épica que começa no Egito antigo e vai percorrendo em quase todo o norte da África, envolvendo as tribos que vinham nesse entorno. O personagem principal tem a missão de livrar seu povo da destruição que se aproximava.

Nesse primeiro livro da trilogia o autor foca na origem e nos elementos mitológicos, na origem das grandes civilizações africanas. “Trago essa história da figura do herói porque lembra de nobreza, lembra do quanto importante podemos. Percebo uma forte carência de heróis que representam o continente africano”, acrescenta o escritor.

Com relação a semana da consciência negra, Nathan explica que se deparou com esse movimento aqui no Brasil, já que em seu país o movimento não existe. Mas embora tenha se assustado de início, ele diz que é de grande importância, já que se trata de um momento onde faz recordar a valorização e a importância da cultura Africana.

“No meu país a gente não tem essa questão, nunca nos preocupamos com isso, mas depois que cheguei ao Brasil tive conhecimento do que o negro passa até hoje. Situações que reverberam nas relações sociais, políticas e econômicas. Essa data serve de memória para que possa ser lembrado o progresso e as conquistas”, destaca o escritor.

Rafaela Oliveira, 20, está iniciando a carreira como escritora. No próximo mês de dezembro, ela vai ter seu primeiro conto publicado em um livro com coletânea envolvendo outras escritoras. Ela diz que faz parte da população que demorou a se reconhecer como negra, uma vez que ela acredita que a miscigenação acaba contribuindo com essa falta de reconhecimento.

” Essa questão da miscigenação é algo muito complexo, pois ela não acontece de forma igual em nenhum lugar, pois há uma pluralidade imensa. E é justamente nesse ponto que acaba que acaba resultando em diversas cores, não é algo homogêneo”, explica.

Rafaela diz que o processo da escrita contribui para que ela se empodere como negra, apesar de que esse processo não seja o recorte principal de sua criação. “A questão racial não é o ponto principal, mas ele está sempre presente e aparece nas entrelinhas. E as pesquisas e as relações que façam em torno desse trabalho acaba contribuindo muito”, completa Rafaela.

A semana da consciência negra, para a escritora, é uma semana que ajuda a abrir os olhos, uma vez que é um momento dedicado para falar de lutas, de dores e de conquistas da população negra. O ideal, para a jovem, é que as pessoas não precisassem ser lembradas, mas já que a discriminação racial é latente, ela diz que é preciso cada vez mais reforçar a importância da data.

 

Fonte: Oliberal

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