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Neste domingo, 28, o desabafo de um médico que trabalha na linha de frente no combate à covid-19 correu as redes sociais. Em tom indignado, o médico emergencista Nelson Müzel, de 39 anos, que atua na área de cuidados paliativos, reclamou do desrespeito aos pacientes na porta da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) 26 de Agosto, em Itaquera, na zona leste de São Paulo, que era invadida pela música ensurdecedora vinda de uma festa clandestina nas imediações.

“A gente não consegue falar com os pacientes dentro do quarto, porque o barulho é tão grande lá dentro que a gente não consegue se ouvir nem ouvir o que o paciente está falando.”

Müzel disse que a Polícia Militar foi acionada, mas a situação não foi resolvida. E cobrou uma atitude do governador João Doria e do prefeito Bruno Covas, ambos do PSDB.

“Isso é uma falta de respeito com a gente que está aqui dando o sangue para poder promover para esses pacientes qualidade de vida. Isso é insustentável, não tem a menor condição de dar qualidade para esses pacientes. A gente exige respeito, a gente exige resposta. A gente sai da nossa casa, corre o risco de estar aqui”, diz, no vídeo.

Em depoimento ao Estadão, Müzel diz que o som alto já era um problema e continuou durante a pandemia. A sua revolta naquele momento surgiu ao se ver diante de uma paciente de 62 anos, que estava infectada, tendo de contar que a mãe dela, de 84, teria de receber cuidados paliativos. Naquela situação delicada, ele teve de gritar para ser compreendido e precisou se esforçar para ouvir a mulher, que estava com dificuldade para falar por causa da falta de ar.

Profissional do Sistema Único de Saúde (SUS) há 11 anos, o médico, que também é psicanalista, critica a insensibilidade de quem se aglomera em um momento tão grave da pandemia, com hospitais lotados e alastramento do vírus. “É uma coisa desumana, é olhar para o risco e não estar nem aí, olhar para o nosso trabalho e fazer com que a gente enxugue gelo. Enquanto a gente não respeitar isso, a gente vai se tornar o epicentro por uma irresponsabilidade social.”

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que a PM, por meio da Operação Paz e Proteção, mapeia locais onde são realizados pancadões e os policiais vão para os pontos antes que as pessoas se aglomerem.

“Em relação ao endereço citado, a PM foi acionada e, por meio de denúncia anônima, encaminhou equipes para o local. Foi realizado o policiamento no entorno a fim de proteger a vizinhança, coibir a chegada de mais participantes e evitar a prática de delitos.”

A secretaria disse ainda que entre a noite de sexta-feira, 26, e a madrugada desta segunda, 29, a corporação realizou 1.052 ações de dispersão na capital.

FONTE: Oliberal

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