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O diagnóstico precoce é essencial para o tratamento do câncer de próstata. Com o objetivo de conscientizar sobre a atenção à doença, empresas e órgãos públicos aderem, anualmente, à campanha Novembro Azul. Segundo o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS), 374 homens morreram por câncer de próstata no ano passado, e 325 este ano, até setembro. Em número de casos, a doença é a mais recorrente entre os tipos de câncer: 104 confirmados entre janeiro e setembro deste ano, contra 378 casos em 2019.

Segundo o médico urologista Maurício Massulo, o câncer de próstata é uma doença muito frequente e pode acometer um a cada seis homens ao longo da vida. “É grave, potencialmente letal e é genético – não hereditário. Não passa de pai para filho, mas é comum que as pessoas com câncer tenham um histórico da doença na família. Não existe um fator ambiental que faça aparecer o câncer de próstata, apenas a pré-disposição genética”, explica.

A principal idade para que a doença apareça é aos 60 anos, o pico de incidência, segundo o especialista, embora pacientes na margem dos 50 anos também enfrentem riscos. Ele lembra que a atenção dos homens deve se dar a partir desta faixa, e após os 45 anos para quem tem histórico familiar. Maurício ainda diz que não há um preventivo contra a doença, apenas o rastreamento. Como o câncer de próstata, na fase inicial, não causa sintomas, o médico ressalta a importância da pesquisa pela doença. “Só vou diagnosticar uma doença que não tem sintomas se eu estiver pesquisando, por isso a necessidade dessas campanhas, como o Novembro Azul”, afirma.

Encontrando o câncer de próstata cedo, na fase inicial, é possível fazer o tratamento curativo. O procedimento padrão é a cirurgia, a prostatectomia radical, e a radioterapia pode ser utilizada como tratamento coadjuvante para quem tem risco aumentado, segundo Maurício. Já com o tratamento paliativo não é obtida a cura da doença, mas o médico trata outros problemas, diminuindo a dor do paciente, o volume da doença e evitando o aumento do número de metástases. “Quando o câncer dá sintomas, já está em fase avançada, com obstrução dos ureteres, que transporta a urina do rim para a bexiga, podendo levar à insuficiência renal, ou quando a doença sai da próstata e vai para o osso, que é uma metástase óssea e causa muita dor”, destaca o urologista.

O coordenador de Saúde do Homem da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Diego Cutrim, explica que o Pará tem evoluído na conscientização de pessoas para a prevenção contra o câncer. “Os homens têm aderido à campanha de uma forma positiva, principalmente durante o mês de novembro. Geralmente, quem leva eles nas consultas é a esposa, filha, mas neste ano eles mesmos estão buscando, acho que muitas pessoas se atentaram para mortalidade durante a pandemia”, argumenta. No entanto, o coordenador diz que a redução no número de casos, entre 2019 e 2020, pode não ser real e pode haver subnotificação – ele atribui à pandemia, que fez as pessoas se recolherem em casa e deixarem de caso a pesquisa por outras doenças, como o câncer de próstata.

Dentro da campanha, o governo estadual, por meio da Sespa, vai realizar uma série de ações até o dia 30 deste mês. A Policlínica Metropolitana, em Belém, vai atender homens com mais de 30 anos, com agendamento pelas Secretarias Municipais de Saúde e também por telefone. Serão oferecidas consultas em clínica médica, exames laboratoriais e procedimentos como raio-X de tórax e eletrocardiogramas. Por dia, a ação oferecerá 75 consultas de segunda a sexta-feira, perfazendo no período da campanha um total de 1.200 consultas médicas, 1.200 exames laboratoriais em 17 tipos, 1.200 eletrocardiogramas e 1.200 raios-X de tórax. Para isso, Diego garante que a Sespa atua na sensibilização dos profissionais de saúde. Os pacientes devem portar documentos como carteira de identidade, CPF, comprovante de residência e cartão do SUS, além de estarem em jejum para coleta de exames laboratoriais e para procedimentos de eletrocardiograma e raio-X.

Respeitando o distanciamento social, essencial para combater o novo coronavírus, as palestras serão online, com a agenda dividida em lives semanais. No dia 13 deste mês, às 10h, o coordenador nacional de saúde do homem, Francisco Norberto, falará sobre o tema “Saúde Integral do Homem versus Novembro Azul”. Já no dia 20, às 11h, o coordenador de urologia do Hospital Regional Abelardo Santos, Bernardo Sefer, vai abordar o câncer de próstata e de pênis no homem paraense. No dia 27, às 10h, o professor do curso de psicologia da Universidade Federal do Pará (UFPA), Eric Alvarenga, fala sobre a saúde mental do homem em tempos de pandemia.

Apenas em Belém, o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) mostra que, em 2019, foram 97 óbitos por câncer de próstata entre os moradores da cidade. Em 2020, até 11 de novembro, foram notificadas 93 mortes. De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a estimativa é de 140 novos casos de câncer de próstata em 2020 na capital paraense.

Ligada à Prefeitura de Belém, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) informa que investe o ano inteiro na prevenção de doenças entre homens, dentro do Programa de Saúde do Homem, que está disponível nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), cuja programação envolve grupos temáticos sobre alimentação saudável, tabagismo, importância e encaminhamento para o exame de próstata, oficinas, pré-natal do parceiro e orientações educativas em sala de espera, além de outras dinâmicas. Segundo o órgão, as atividades são reforçadas no mês de novembro, porém, com a pandemia, precisaram ser readequadas para que não haja aglomeração e sejam cumpridas as normas sanitárias.

“Diante do trabalho que temos feito nos últimos anos, percebemos hoje que os são homens mais conscientes dos cuidados necessários com a saúde. Mas ainda precisamos fortalecer este vínculo. A saúde do homem ainda está condicionada ao empenho da mulher em agendar consulta e levar o marido, filho ou irmão até o serviço de saúde. Quanto mais o público masculino entender que pode viver mais e viver com qualidade de vida, mais homens cuidarão de si, controlarão os fatores de risco para o aparecimento do câncer de próstata e outras doenças”, declara o coordenador da referência técnica de saúde do homem da Sesma, Alessandro Martins.

O profissional ainda reforça que, se houver caso de câncer na família, o homem deve ficar em alerta e investigar precocemente com profissional médico. Caso seja identificada alguma alteração no exame de PSA (antígeno prostático específico, em português), deve ser encaminhado para um especialista.

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