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O fato de a jornalista Fátima Bernardes ter anunciado nas redes sociais que está com câncer de colo de útero liga o alerta para as brasileiras sobre a prevenção à doença, em particular, as paraenses, porque somente de janeiro até novembro a doença respondeu por 288 óbitos no Pará. A mortalidade no Pará é de 60%, como afirma o oncologista Luís Eduardo Werneck.

Esse número de 288 óbitos é fornecido pela Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). “Em 2019 foram diagnosticados 640 novos casos de câncer de colo de útero no Pará. Em 2020, até o mês de outubro, foram registrados 198 casos da doença, sendo que deve ser considerada a subnotificação causada pela pandemia de Covid-19. A Sespa informa também, que a mortalidade por esse tipo de câncer ainda é alta, no entanto, vem caindo nos últimos anos. Em 2019, esse número foi de 381 óbitos e em 2020, até o mês de novembro, foram registrados 288”, repassou a Secretaria.

O principal fator de risco, como aponta a Sespa, é a infecção pelo HPV e sexo inseguro sem uso de preservativo. “As principais medidas de prevenção são a vacinação contra o HPV das meninas de 9 a 14 anos e dos meninos de 11 a 14 anos e a realização do preventivo do câncer de colo de útero (PCCU) prioritariamente para mulheres de 25 a 64 anos”, completa.

De frente

Fazer a prevenção regularmente e obter um diagnóstico precoce da doença são ações estruturais para se prevenir e combater a doença. O alerta é de quem conseguiu superar a fase crítica da doença e se mantém em controle, como a artesão Maria de Jesus Martins, 69 anos. Ela descobriu que tinha este tipo de câncer em 2004 e permaneceu em tratamento até 2008 “Eu fiz radioterapia e quimioterapia. Para se reverter a situação, tem que fazer direitinho o que o médico mandar, ter uma alimentação correta e não pegar muito Sol”. Maria de Jesus conta que em 2004 chegou em casa e notou que estava sangrando. Providenciou exames e foi constatada a doença.”Agora, estou no controle e sigo as orientações médicas”, acrescenta.

Já a secretária Zenaide Lima, 59 anos, teve câncer de útero em 2018. “O tratamento foi excelente, e eu tive o apoio da minha família e dos meus amigos, e, é claro, fé em Deus”, diz. Ela relata que o tratamento foi feito com cinco sessões de quimioterapia e duas de radioterapia. “Hoje em dia, de seis em seis meses, eu faço o check up, para manter o controle”.

Zenaide conta que ao saber que havia contraído a doença chorou muito. “Quando se tem a informação de que se está com câncer, a pessoa pensa logo que vai morrer. Mas não é assim, não”, assinala. Zenaide Lima observa que a prevenção é fundamental. “Eu fazia o preventivo todo ano,  e como disse o médico imagina se não tivesse feito. Agora, eu pude fazer logo os exames. Penso nas pessoas que dependem da rede pública e aí o Brasil tem que investir em medicamentos e em exames”, completa.

Atenção

O médico oncologista e pesquisador Luís Eduardo Werneck, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia e atua na Oncológica do Brasil, ressalta que são esperados para o próximo ano 20 mil casos de câncer de colo de útero em mulheres no Brasil. Essa doença grave pode ser evitado e é causado principalmente pela exposição ao HPV, “e  a gente recomenda cada vez mais que as nossas crianças (meninos e meninas), de 9 a 14 anos de idade, antes da primeira relação sexual, façam a vacina contra o HPV, isso reduz praticamente em 100% a chance de ocorrer um caso de câncer de colo de útero”, observa.

Ele considera qua anteriormente a jornalista Fátima Bernardes não tinha à disposição essa vacina. “Então, por estar desprotegida contra as cepas 16 e 18 do vírus HPV, é que ela veio a desenvolver o câncer de colo de útero. Qual é a condição de mortalidade? Na nossa regiao, é alta, porque, nós temos os fatores de risco muito importantes na Região Norte. É a única região do Brasil em que o número de casos de câncer de colo de útero é maior que o número de casos de câncer de mama. Isso é uma tristeza para a gente, por ser esse tipo de câncer totalmente prevenível e o de mama, não”, salienta Luís Eduardo Werneck. “Então, é falta de fazer o dever de casa”, acrescenta.

Um outro aspecto destacado pelo médico é que a mortalidade depende do estágio em que o câncer é diagnosticado. A doença pode ser diagnosticada do estágio 1 até o 4. No estágio 1, os casos costumam ser curados. Já no estágio 4, as chances de cura oscilam entre 25 e 30% de cura, pouco diante de uma doença potencialmente fatal. Em geral, as mulheres do Norte só procuram por médico no estágio 3 ou 4; daí a média de mortalidade ser de 60% no Pará.

Werneck recomenda o exame preventivo anual (para mulheres acima de 45 anos e mulheres acima de 40 anos que tenham casos de câncer na família), observando que a Sespa, a Rede Paraense de Combate ao Câncer, o Hospital Ophir Loyola, o Hospital Barros Barreto e as unidades básicas de Saúde podem ser acessadas para esse procedimento de prevenção ao câncer. “A minha mensagem é de não ter medo da vacina e vacinar meninas e meninas contra HPV (que causa o câncer de pênis); vacinação das crianças antes da primeira relação sexual; desestimular o início da relação sexual precoce e fazer exame preventivo.”

 

 

FONTE: Oliberal

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