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A advogada Luanna Tomaz está representando os ex-seminaristas que acusam o arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira, de abuso sexual.

Ela foi procurada por eles em dezembro de 2020, quando eles buscavam apoio jurídico e psicológico, já que ela coordena um projeto na Universidade Federal do Pará que atende vitimas de violência.

“Vivemos um contexto nacional de muitas denúncias de abuso contra figuras de poder, com cargos de comando em instituições. A denúncia é contra o arcebispo, não contra a igreja”, afirma Tomaz. O caso é investigado pela Polícia Civil, Ministério Público do Pará e Vaticano.

Luanna Tomaz é diretora adjunta do Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Pará Luanna Tomaz é diretora adjunta do Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Pará (Wagner Almeida ( Agência Pará))

Desde o início das acusações, Taveira tem negado tudo. Em uma missa realizada em dezembro, disse que se alguém “por ação do demônio, pensasse em acabar com a Igreja Católica e a Igreja de Belém, enganou-se radicalmente”.

Após matéria da TV Globo sobre o caso no último domingo (6), o arcebispo classificou como “caluniadores” os jovens que teriam sido abusados sexualmente por ele.

Luanna não acompanhou a reação de Taveira durante a missa realizada por ele nesta segunda-feira (4), mas acredita que o espaço que ele dispõe enquanto arcebispo desequilibra o processo.

“Faço coro às denúncias e pedidos pelo afastamento dele durante às investigações, pois ele, enquanto líder religioso, possui um alcance desproporcional, muito maior que o das vítimas”, diz ela, referindo-se às 37 entidades que já se manifestaram a favor do afastamento de Dom Alberto Taveira.

Segundo os jovens, os abusos ocorreram quando eles eram adolescentes, entre os anos de 2010 e 2014. De acordo com a advogada, todos eles seguem em anonimato e acompanham as opiniões nas redes sociais, majoritariamente em defesa do arcebispo.

Nos últimos dias, Luanna afirma que os ex-seminaristas estão muito fragilizados com a repercussão do caso, mas não só por causa do que é dito na internet: eles são muito católicos desde a infância e desistiram de comparecer às missas da cidade.

“Eles deixaram de ir porque os padres comentam o caso nas missas, saem em defesa do arcebispo. Eles são jovens de muita fé. Isso faz parte também da nossa preocupação pois uma figura investigada não deveria influenciar as investigações e nem constranger a igreja”, avalia a advogada.

Além do acompanhamento das investigações, Luanna conta que uma solicitação foi feita ao Ministério Público do Pará para que Taveira seja afastado do cargo, todavia, ela explica que essa decisão deve ser tomada pela própria Igreja, sob a luz do direito canônico – as leis internas da instituição. Todas as investigações seguem em segredo de justiça.

“Esse caso particular demonstra uma típica dinâmica de poder que resulta em abusos similares. Eles denunciaram o comportamento de uma pessoa que, se valendo da igreja e da fé, cometeu abusos. Isso é muito perverso”, comenta ela, ao reiterar que o processo foi estabelecido contra Dom Alberto Taveira, e não contra Igreja Católica.

Luanna é diretora adjunta do Instituto de Ciências Jurídicas da Universidade Federal do Pará, onde cursou graduação e mestrado antes de embarcar para um doutorado, na Universidade de Coimbra, em Portugal e, segundo ela, trabalha com direitos humanos “a vida toda”.

A Arquidiocese de Belém segue afirmando “que, devido ao sigilo imposto e em respeito às leis, não pode divulgar mais informações”, mas a defesa do arcebispo afirma que Taveira ainda não foi ouvido pelo Ministério Público, apesar de ele estar à disposição.

A Polícia Civil confirma que abriu procedimento a pedido do Ministério Público, mas não informou em qual delegacia a diligência ocorre ou qualquer outro tipo de detalhe, já que o processo está em segredo de justiça.

FONTE: Oliberal

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