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Luiz Braga começa 2021 firme em sua missão de mostrar a sua Amazônia para o mundo, sendo um dos convidados para a Trienal de Imagens de Guangzhou 2021, na China. As fotos do paraense escolhidas para compor a exposição no centro cultural asiático foram  produzidas por ele na série “Mapa do Éden”, realizada com a técnica Nightvision, criada e desenvolvida por Braga desde 2005. Nessas obras monocromáticas, Luiz apresenta a sua casa de um jeito surreal: uma Amazônia fantasiosa, quase mística, diferente do que é mostrado regularmente. O convite para a mostra internacional reforça a marca indelével que Braga vem deixando com seu trabalho, retratando, de uma forma única, o espaço em que ele vive.

“É muito bom quando o curador que você encontrou uma vez na vida e há muito tempo, lembra do teu trabalho e te coloca em um projeto como esse, pois isso desmonta um pouco esse conceito que vem se colocando hoje que se você conseguir alguma coisa, é por lobby. Se você tem um trabalho e cuida dele, respeita ele, trata dele com dignidade, ele acaba se estabelecendo. Esse cara é uma pessoa que eu vi uma vez na vida e eu acho que o meu trabalho deve ter, de alguma maneira, impactado, e ele me mandou uma carta, no ano passado, me convidando. Ele já sabia qual trabalho ele queria, e isso é muito legal’, conta Luiz Braga.

Na série escolhida pelo curador cubano Gerardo Mosquera para compor a exposição na província chinesa, Luiz usa o recurso de visão noturna da câmera para subverter a realidade, deixando as paisagens e os personagens com a aparência de gravura. Essa técnica foi uma inovação para ele mesmo em vários sentidos, tanto na forma quanto no tema. Conhecido por suas cores vibrantes, Luiz passou a produzir em tons de preto e branco.

“É uma construção subjetiva que eu fiz da nossa Amazônia, que é tão falada, tão apropriada, tão estereotipada. Eu me permiti criar uma Amazônia utópica, através da técnica do nigthvision. É uma técnica de visão noturna, feita para fotografar sem luz, e fui criando e pesquisando para usar esse recurso durante o dia; ou seja, mais uma vez, subvertendo aquilo que se espera”, explica, reforçando que para ele, Mapa do Éden foi uma revolução também nos temas que ele estava acostumado a retratar com suas lentes.

Casa e açaí Casa e açaí (Luiz Braga)

“Eu nunca tinha tratado, até então, a paisagem, a natureza, as árvores, os rios, aquela coisa pela qual a Amazônia é tão conhecida. Eu me recusava a ter isso no meu trabalho, a contribuir para o estereótipo da Amazônia como paraíso verde, como o inferno verde. Eu acho que existe uma Amazônia das pessoas que vivem aqui: dos ribeirinhos, eu, você. Nós vivemos aqui, e não estamos dentro dessa caixinha que foi embalada, geralmente, pelos estrangeiros, que passavam por aqui. Eu não sou um passageiro. Eu nasci, vivi e optei por trabalhar aqui”, conta. “Pela primeira vez eu consegui abordar no meu trabalho a floresta. Eu aceitei isso por conseguir fazer uma floresta que tivesse a minha cara, que fosse subjetiva. Eu quero que as pessoas saibam que aquilo é a Amazônia, mas eu quero sair do óbvio”, reforça o fotógrafo.

Ainda de acordo com Braga, o nome “Mapa do Éden” se refere a uma terra sem males, em um mito paradisíaco mundial que faz parte do imaginário coletivo e que também aparece na mitologia indígena. “O Paes Loureiro trata disso em ‘Cultura Amazônica: Uma Poética do Imaginário’, da mitologia indígena contando sobre uma terra onde existe fraternidade, onde existe respeito à natureza, aos animais, às árvores”, explica o artista, que se diz honrado ao ser convidado para mostrar esse paraíso particular na China. “Infelizmente eu não vou poder estar lá. Mas é uma notícia maravilhosa. No meio de tanta notícia ruim, eu fiquei muito feliz”, conta.

A obra do paraense se encaixa com a missão da Trienal de Guangzhou, que nesse ano, ocorre de 09 de Março a 20 de Maio com o tema “Repensando a Coletividade”. Segundo a organização, o objetivo é mostrar diferentes aspectos da reflexão crítica possibilitados pela linguagem da criação de imagens e repensar o destino da humanidade junto com os participantes. A organização da Trienal explica que, após um ano de tantas crises, sobretudo, em um país que foi epicentro de uma pandemia, a mostra vem com a intenção de conectar o passado, o presente e o futuro a fim de promover a prática da arte da imagem por meio de diálogos abertos e trocas, na busca contínua de refletir sobre o mundo complexo em que vivemos. Braga, que quer usar sua produção artística para contribuir no debate sobre a construção desse mundo melhor, explica:

“Com isso, eu consigo de certa maneira contrapor a essa Amazônia violenta que a gente recebe todo dia às notícias:o trabalho escravo, os indígenas aviltados, as pessoas morrendo sem ar em uma pandemia no pulmão do mundo. […] Esse trabalho é um brado contra isso, na minha leitura hoje. Se tu me perguntar se foi feito com essa intenção, eu falo ‘não’. Mas serve, sim, para construir esse lugar. Pelo menos nas minhas fotografias, essas coisas não acontecem”, sonha Luiz Braga.

FONTE: Oliberal

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