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O governador Helder Barbalho anunciou, nesta sexta-feira (29), às 19h13, por meio do Twitter, que o Pará confirmou os dois primeiros casos da nova cepa do novo coronavírus. A confirmação foi feita pelo Instituto Evandro Chagas. A variante identificada inicialmente no Amazonas foi confirmada em um homem de 58 anos e uma mulher de 26 anos de idade, no município de Santarém, oeste paraense.

Em nota, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) reforçou “a necessidade de que todos continuem mantendo o uso de máscara, álcool em gel e do distanciamento social para evitar o aumento de casos da doença”.

A assessoria do Instituto Evandro Chagas informou que está aguardando um posicionamento do Ministério da Saúde para divulgar alguma nota.

Especialista já tinham alertado sobre o vírus no Pará

Na última quinta-feira (28), a infectologista Helena Brígido, vice-presidente da Sociedade Paraense de Infectologia (SPI), já tinha alertado sobre a possibilidade da nova variante estar circulando há algum tempo no Pará. 

“Sem dúvidas já deve estar circulando pela facilidade de transmissão, viagens ao Amazonas e pelo aumento de casos no Pará. A média móvel de casos nos últimos sete dias foi mais que o dobro da variação da média móvel nacional no mesmo período. O maior pico ocorreu em 14 de janeiro com média móvel de 451 casos, sendo o segundo maior pico desde o início da pandemia da covid-19″, disse.

Em relação à nova cepa que circula no Amazonas, ela explicou que é a variante B.1.1.7, que tem 14 mutações diferentes incluindo uma mutação na proteína “S” (spike, em inglês, ou espigão, em português).

“A proteína ‘S’ faculta a entrada no vírus nas células humanas aumentando a transmissibilidade entre 10% a 60%. A cepa que circula no Amazonas possui também maior transmissibilidade da doença, isto é, várias pessoas podem ser infectadas ao mesmo tempo em menor período”, enfatizou a infectologista.

As vacinas são eficazes contra a variante?

Por enquanto, como uso emergencial, a vacinação no Brasil utiliza a Coronavac, do laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, e a vacina de Oxford, AstraZeneca/Universidade de Oxford em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Elas foram autorizadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Ministério da Saúde, domingo (17/01).

Ao ser perguntada se essas vacinas serão eficazes contra a nova cepa, a infectologista Helena Brígido afirmou que a ciência e a sociedade saberão a resposta somente mais tarde.“A certeza de que as vacinas têm ação protetora contra essa cepa iremos saber após as suas doses e com exames para conhecimento da produção de anticorpos”.

A nova cepa

Essa nova cepa, que ganhou o nome de P.1, foi flagrada pela primeira vez no dia 10 de janeiro em quatro indivíduos que desembarcaram em Tóquio, no Japão, após uma viagem para o Amazonas.

Alguns dias depois, um estudo que envolveu mais de dez instituições brasileiras, inglesas e escocesas detectou os primeiros casos da variante na própria cidade de Manaus.

No dia 26 de janeiro, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo também confirmou os três primeiros casos da nova variante no estado. Foi a primeira vez que a variante foi confirmada em outro estado do Brasil.

Os três pacientes de São Paulo tiveram covid-19 e passaram por atendimento em serviços da rede pública de saúde do estado, com histórico de viagem ou residência em Manaus.

Uma reportagem do dia 19 de janeiro do portal UOL mostrou relatos de profissionais da saúde que estão atuando na linha de frente da pandemia no Amazonas. Eles informaram que muito mais jovens estão morrendo por conta da nova variante.

Os relatos destacaram que os óbitos são registrados em todas as faixas etárias, atingindo bebês, crianças, adolescentes mesmo sem comorbidade.

Os profissionais ouvidos pelo UOL disseram que identificaram encurtamento no tempo de agravamento dos casos, com pacientes que, com sete, oito dias, estavam com comprometimento de 75% dos dois pulmões.

FONTE: Oliberal

 

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