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Pesquisar é algo que faz parte da vida do virologista e professor paraense Pedro Fernando da Costa Vasconcelos, 63 anos, há muito tempo. Tanto que a contribuição dele à saúde em escala  mundial acaba de ser reconhecida mediante a inclusão do nome de Pedro na relação dos 100 mil cientistas mais influentes do mundo, de acordo com publicação do Journal Plos Biology em outubro passado. Foi, então, apresentado um banco de dados utilizados até 2019, organizado por uma equipe da Universidade de Stanford (EUA). A base de dados do estudo atualiza a posição dos cientistas nos rankings sobre o impacto do pesquisador ao longo da carreira e, também, o impacto do pesquisador em um único ano (no caso, 2019). Natural de Monte Alegre (PA), Pedro Vasconcelos está em ambas relações.

Na pesquisa, com avaliação de 7 milhões de cientistas, são consideradas métricas de produtividade em pesquisa, citações e afins. A lista inclui cientistas que não estão entre os 100 mil, mas figuram entre os 2% melhores em suas áreas de investigação.  No total, sete milhões de carreiras foram avaliadas.

Médico formado em 1982 pela UFPA, virologista, com doutorado em Epidemiologia Clínica pela UFBA, em Salvador, e pós-Doutorado na University of Texas Medical Branch em Galveston Texas, EUA, em Virologia Molecular. Ele atua como médico virologista desde 1983. “Eu atuei no Instituto Evandro Chagas entre fevereiro de 1983 quando fui admitido, até abril de 2019, quando pedi minha exoneração do cargo de diretor e, em seguida, me aposentei”, conta. Pedro foi diretor do IEC entre 2014 e 2019.

Significado
Sobre o fato de ter sido incluído entre os 100 mil cientistas mais influentes no mundo, Pedro Vasconcelos destaca: “Eu recebi com naturalidade, mas ao mesmo tempo com surpresa. Afinal, nós atuamos em um dos mais respeitáveis institutos do mundo. As nossas pesquisas sempre foram bem avaliadas no Brasil, mas também no mundo afora. Por isso, seria natural estar nessa lista, mas fiquei surpreso pois eu me aposentei do IEC há pouco mais de um ano e tenho atuado esporadicamente lá, orientando os meus alunos de mestrado, doutorado e pós-doutorado que mantenho no Programa de Pós Graduação em Virologia do IEC, do qual ainda permaneço como professor permanente”.

Pedro Vasconcelos tem atuado em pesquisas científicas estratégicas na área da saúde, como a relacionada ao zika vírus”. “O Brasil fez um grande esforço para definir a associação causal do ZIKV com os casos de microcefalia e outras malformações congênitas. E a equipe do IEC que eu coordenava foi que mostrou pela primeira vez ao mundo essa associação, foi um dos mais importantes achados científicos associados com os estudos com ZIKV que resultaram em dois artigos científicos um na SCIENCE com mais de 650 citações em outros artigos científicos e outro na SCIENTIFIC REPORTS do grupo NATURE com mais de 1000 citações. Este último artigo, inclusive, foi tão bem recebido que a NATURE fez um vídeo para disponibilizar mais detalhes desse fantástico artigo”, relata.

“Outros artigos científicos de grande repercussão mundial foram nossos artigos sobre febre amarela em colaboração com a Profa. Irma Duarte (USP) e Prof. Juarez Quarema (UEPA/UFPA). Nós descrevemos as respostas  “in situ” dos casos graves de febre amarela e e demonstramos de forma inéditas os mecanismos de apoptose como principal causa de morte celular na febre amarela. Nós também descrevemos um número enorme de arbovírus, e de hantavírus na Amazônia brasileira que tiveram grande repercussão científica. No tocante à vacina, quatro outros importantes artigos foram publicados, dois na NATURE COMMUNICATIONS, um na CELL e outro, o mais importante, na NATURE MEDICINE. Esses estudos financiados pelo Ministério da Saúde foram coordenados nos EUA pelo professor Pei-Yong Shi da UTMB e aqui no Brasil por mim. Foi um grande aprendizado e de “ciência de ponta” e do mais elevado nível científico!”, acrescenta.

Vida
Para Pedro Vasconcelos, pesquisar cientificamente significa “a busca de melhorar a vida em geral da população mundial”. “Lembro que a ciência não tem fronteiras, os achados científicos são universais e aplicáveis em todo o planeta, em benefício da humanidade”.
Para esse pesquisador, “o Brasil precisa melhorar os investimentos, digo, aumentar os investimentos em pesquisa científica”. “Nosso país está entre os que mais publicam na área da saúde, mas essa produção científica é heterogênea, ou seja, temos grupos (incluindo o nosso) muito produtivos e outros pouco ou nada produtivos. Isso precisa mudar, ser mais homogêneo, que os grupos produtivos sirvam de espelho para os demais, visando aumentar a produção científica de quem se acomoda e não produz de forma adequada e desejada para que nós (brasileiros) nos aproximemos dos países desenvolvidos. Portanto, o governo precisa investir mais e rápido para tentar compensar o tempo perdido por faltas de investimentos, e a mais rápida e eficiente forma de fazer isso é o governo federal descontigenciar os recursos dos fundos setoriais da saúde para que tenhamos mais recursos disponíveis para financiar as pesquisas”, ressalta.

“Isso é essencial e extremamente necessário, para que busquemos soluções para os problemas de saúde dos brasileiros. Deveria ser uma prioridade absoluta, e passa por uma ação pro-ativa do Ministério da Ciência Tecnologia e Inovação. O ministro do MCTI tem que sair da zona de conforto e enfrentar os problemas crônicos da falta de recursos para a ciência brasileira. Lembrar que educação e pesquisa não geram despesas, são investimentos de médio a longo prazos. Educação e Ciência sempre trazem retorno!”, acrescenta.

Covid-19
Apesar de não ser a área de sua atuação científica, dr. Pedro está envolvido com pesquisa relacionada à covid-19. Ele é presidente do Comitê de Biossegurança da Universidade do Estado do Pará (UEPA) e que tem dado suporte à reitoria nas tomadas de decisão quanto a covid-19. Pedro também participa da equipe da UEPA que está realizando o inquérito soro-epidemiológico nos municípios do Pará junto à Secretaria Estadual de Saúde (Sespa). Dr. Pedro pontua que o grande desafio com relação a covid-19 é obter drogas específicas antivirais que possam ser usadas para tratar na fase aguda da doença, antes, portanto, da fase inflamatória, que é a fase que complica e agrava os quadros de doença dos grupos mais vulneráveis ao SARS-CoV-2.

“Ainda não temos nenhuma droga disponível e não acredito que teremos no médio prazo. Outro grande desafio é obter uma vacina que seja de baixo custo, não gere eventos adversos ou efeitos colaterais, use o menor número de doses para imunizar e que gere uma robusta imunidade com formação de anticorpos neutralizantes e de células de memória imunológica. Esses são os mais importantes desafios do SARS-CoV-2 para mim. Mas não tenho dúvidas de que muito em breve teremos pelo menos a vacina!”, finaliza.

 

FONTE: Oliberal

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