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A pandemia do novo coronavírus (covid-19) afetou em cheio o bolso dos consumidores belenenses. De acordo com a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o índice que mede a intenção de consumo das famílias (ICF) alcançou em 2020 a menor pontuação às vésperas das datas comemorativas de fim de ano desde o início da série histórica, em 2010. O indicador em Belém caiu para 59,16 pontos (em uma escala de 0 a 200), uma queda de 29,8% em relação ao mesmo período do ano passado (84,37).

Essa retração é confirmada e sentida no comércio local. “As vendas estão se comportando aquém do que nós esperávamos. Tínhamos a esperança de uma recuperação. A expectativa não era superar o ano passado, mas elas, em si, têm se mantido em torno de 70% do que nós vendemos em 2019. Ou seja, é uma perda de 30% em relação ao ano passado. O setor de confecção tem sido o mais atingido, em função de que as pessoas não estão podendo sair, então não tem porquê comprar roupa. Depois vem o setor de móveis e eletrodomésticos. Só quem está escapando, um pouco, devido ao comércio eletrônico, é o setor de eletroeletrônico”, explica Joy Colares, presidente do Sindicato dos Lojistas (Sindilojas) em Belém.

O presidente do Sindilojas destaca a diminuição da renda da população como um dos principais fatores para essa queda. Esse dado é confirmado pela pesquisa da CNC, que mostra uma retração acentuada de 49,4% no indicador de renda, caindo de 100,2 pontos em novembro de 2019 para 50,7 atualmente. Ainda de acordo com a pesquisa, 62,4% das famílias consultadas afirmaram que seu rendimento piorou em relação ao ano passado.

“Sem dúvida nenhuma houve uma redução da renda, principalmente dos trabalhadores autônomos, que logo no início da pandemia ficaram sem renda nenhuma. Depois foram compensados, um pouco, com o benefício do Governo Federal, mas ainda assim, não recuperaram o nível de renda da primeira quinzena de março. Os assalariados da iniciativa privada também tiveram perda de renda, porque, ou tiveram seus contratos suspensos ou tiveram redução da jornada de trabalho com a consequente redução da remuneração. Mesmo com a complementação do governo, não chega ao valor do salário antigo. Também tem a questão dos aposentados, que não tiveram o seu 13º salario agora. As duas parcelas foram pagas em abril e maio, ou seja, não temos esse ano esse montante de renda que é fundamental e vai muito para o consumo. Então, tudo isso leva a essa redução”, avalia Joy Colares.

Além da perda de renda, a cautela dos consumidores diante do quadro de uma crise pandêmica tem contribuído para o abatimento das vendas no principal período de consumismo do ano. O ICF revela que 44,4% dos entrevistados estão menos seguros com a manutenção do emprego atual. Outros 10,2% disseram que já estavam desempregados. O item referente ao emprego atual reduziu 34,5% no último ano, marcando 68,2 pontos. Consequentemente, a margem de consumidores com perspectiva profissional negativa passou de 28,6% em novembro de 2019 para 44,6% agora.

“Este ano ainda temos esta situação. A precaução que as pessoas estão tendo em relação ao que vem pela frente. As pessoas estão poupando. A pandemia está aí, tendendo para o anuncio de uma vacina, mas já se sabe que ela não vai chegar de imediato a toda população. Então, a perspectiva é que o ano de 2021 ainda seja muito obscuro no que vai acontecer”, completa Colares.

Consumidores estão poupando dinheiro dos presentes e viagens

A advogada Maria Dantas abriu mão de grandes festas e dos presentes para economizar neste fim de ano A advogada Maria Dantas abriu mão de grandes festas e dos presentes para economizar neste fim de ano (Cristino Martins / O Liberal)

Uma entre tantas famílias que estão poupando gastos este ano é a da advogada Maria Dantas, de 39 anos. Ela e o marido, Márcio Vaz Ferreira, de 52, que tem a mesma profissão, administram um escritório de advocacia em Belém. Por conta das dificuldades econômicas provocadas pela pandemia do novo coronavírus, o casal, este ano, vai abrir mão da diversão prolongada para trabalhar no recesso. Segundo Maria, normalmente, a família viaja por cerca de dez dias todo ano, mas agora a celebração será dentro de casa.

“A gente sempre tira esse período para relaxar a cabeça e curtir em alguma praia. Mas dessa vez não vai dar, por conta de toda essa situação, as coisas estão mais difíceis. Resolvemos ficar em casa, para não aglomerar e reduzir custos. Não vamos trocar presentes, só fazer a Ceia e reunir poucas pessoas, as mais próximas”, adianta a advogada.

Maria diz que pretende gastar, junto com o marido, o mínimo possível neste fim de ano. A única despesa vai ser com a Ceia de Natal – nem nesta data nem no Ano Novo a família vai sair para festejar. “Vamos continuar trabalhando, reduzindo o máximo possível de custos, tendo em vista que temos como prioridade a manutenção dos funcionários no escritório. É época de arregaçar as mangas e segurar as despesas”.

Décimo terceiro alimenta esperança do comércio para última semana antes do Natal

Os comerciantes estão ansiosos para que as vendas se intensifiquem nesta última semana antes do Natal. Tradicionalmente, essa é a principal época das compras natalinas, já com o incremento do pagamento da segunda parcela do 13º salário. Estima-se que o abono injete nesta última semana R$ 2 bilhões na economia do Estado, sendo R$ 1,2 bilhão apenas em Belém.

“É tradição que essa injeção do 13º salário vá praticamente todo para o consumo. Sempre vai. Para que isso se concretize temos muitas ofertas, muitas empresas estão antecipando liquidações de janeiro, para poder ver se consegue recuperar, um pouco, das vendas não realizadas durante o ano todo. Então, há uma redução de preços considerável nas mercadorias, menos naquelas compradas em dólar, porque aí, pelo contrário, temos um preço maior, porque o dólar aumentou quase 30% durante esse ano. Mas, de uma maneira geral, a expectativa é grande, principalmente, do segmento de confecção, que foi muito prejudicado. Esse setor, que é a maioria do comércio, está muito ansioso”, destaca Joy Colares.

FONTE: Oliberal

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