Espalhe por ai:

Pelo menos 899 crianças com menos de um ano de idade podem ter morrido devido a complicações da Covid-19 em 2020 no Brasil. O número, mais do que o dobro do registro oficial, que apresenta cerca de 400 óbitos para essa faixa etária no mesmo período, foi divulgado por pesquisadores ligados à Vital Strategies, organização internacional voltada para políticas públicas em saúde.

O dado leva em conta os óbitos causados pela Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) de causa não especificada por meio de um ajuste feito pelos pesquisadores. A estimativa não foi publicada em nenhuma revista científica.

Segundo Fátima Marinho, epidemiologista sênior da Vital Strategies, a análise foi feita com base em dados do Sivep-Gripe, sistema de notificação do Ministério da Saúde.

Desde o início da pandemia no País, especialistas alertam para as falhas nas notificações de casos da Covid-19. Assim, é consenso entre cientistas e médicos que, em um ano de pandemia provocada por um vírus respiratório – o coronavírus Sars-CoV-2 – o excedente de mortes causadas por síndrome respiratória é, muito provavelmente, consequência da infecção por esse patógeno.

O registro de mortes causadas pela Covid-19 em crianças no País está entre os mais altos do mundo. Nos EUA, país com mais óbitos provocados pela doença, houve 52 mortes de crianças de até quatro anos de idade em 2020, segundo o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) – número aproximadamente 10 vezes menor do que o registrado para a mesma faixa etária no Brasil (542, segundo dados oficiais).

Com o ajuste feito pelos pesquisadores da Vital Strategies, as mortes entre crianças de até quatro anos de idade sobem para 1.214 no Brasil em 2020. Enquanto os EUA registram mais de 550 mil mortes causadas pela doença até esta quarta-feira (31), o Brasil tem cerca de 318 mil óbitos.

O cenário em ambos os países, no momento, é completamente oposto, com o Brasil em aceleração descontrolada de casos e mortes e os EUA em queda após intensificar a vacinação em massa da população.

Para Marinho, problemas de acesso ao diagnóstico, falta de alerta sobre os sintomas da Covid-19 e de protocolos para tratar os mais jovens estão entre as causas do número elevado dessas mortes no Brasil. A escassez de UTIs para os recém-nascidos (neonatal) também teria contribuído para agravar o problema.

Os mais jovens são os menos atingidos pelo coronavírus. Poucos se infectam e, mesmo quando adquirem a doença, desenvolvem sintomas mais leves na maior parte dos casos. Segundo dados do CDC, as mortes de crianças com Covid-19 em idade escolar representam menos de 1% do total de óbitos.

Levantamentos e estimativas apontam que crianças e adolescentes são menos de 10% dos infectados pelo vírus no mundo, mesmo representando cerca de 25% da população total. Ainda assim, um pequeno número de crianças desenvolve a Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P) após a infecção pelo vírus, condição considerada grave e rara pelos especialistas.

FONTE: Folha de Pernambuco

 

Espalhe por ai:
https://www.braganews.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pesquisa-1024x683.jpghttps://www.braganews.com.br/wp-content/uploads/2021/04/pesquisa-150x150.jpgDa redaçãoInternacionalPelo menos 899 crianças com menos de um ano de idade podem ter morrido devido a complicações da Covid-19 em 2020 no Brasil. O número, mais do que o dobro do registro oficial, que apresenta cerca de 400 óbitos para essa faixa etária no mesmo período, foi divulgado por...