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Uma nota pública foi divulgada neste domingo, 14, pelo povo Tembé-Theneteraha para exigir punição para os assassinos e mandantes da morte do líder indígena Isac Tembé, de 24 anos. Ele foi morto a tiros na noite de sexta-feira, 12, no município de Capitão Poço, no nordeste do Pará. O crime ocorreu por volta das 22h e teria sido cometido por policiais militares.

O texto ressalta que a vítima nunca se envolveu em qualquer ato ilícito e refuta a justificativa dada pela Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) de que os policiais teriam agido em legítima defesa por terem sido alvos de disparos de arma de fogo. “(…) repudiamos como mentirosa a versão dos policiais militares, que alegam ter reagido a uma agressão a tiros. Somos um povo da alegria e da festa; um povo pacífico, ordeiro e cumpridor da lei. Exigimos das autoridades uma apuração rápida, transparente e rigorosa, a fim de identificar e punir os responsáveis por esse crime”.

Ainda segundo o comunicado, a esposa da vítima está grávida e deve dar à luz em breve.

Segundo os indígenas, Isac caçava junto com um grupo de guerreiros jovens quando foi baleado e morreu. Segundo a Segup, o corpo da vítima foi levado pelos policiais militares até uma unidade de saúde. O crime é investigado pela Polícia Civil.

Confira o texto na íntegra:

“Nota Pública do Povo Tembé-Theneteraha 

O coração do povo Tembé-Tenetehara sangra com o brutal assassinato do nosso jovem guerreiro Isac Tembé. A bala que lhe tirou a vida, com apenas 24 anos, atingiu a todos que desde tempos imemoriais habitamos essa terra e fazemos a permanente defesa da floresta e de nossos saberes tradicionais. 

O jovem Isac foi executado a tiros por policiais militares na noite da última sexta-feira, 12. Ele saiu para caçar depois de um dia de trabalho na construção de sua casinha para morar com sua família. Perguntamos: por que esses agentes da segurança pública servem de milícia privada para  fazendeiros que invadem terra indígenas? Por que chegaram atirando contra nossos jovens, filhos, netos e sobrinhos, que caçavam, pratica que faz parte da cultura de nosso povo? 

A Polícia Militar assassinou duas vezes Isac Tembé: mataram seu corpo e  tentam matar sua memória quando atacam a índole de nosso jovem guerreiro e liderança exemplar.

Isac era um cidadão honrado, professor de história, atuante na comunidade e na organização da juventude. Sua esposa está grávida e em breve dará à luz a mais uma criança Tembé, garantia da continuidade deste  povo originário. Jamais se envolveu em qualquer ato ilícito e nunca em sua vida portou ou disparou uma arma de fogo. 

Por isso, repudiamos como mentirosa a versão dos policiais militares, que alegam ter reagido a uma agressão a tiros. Somos um povo da alegria e da festa; um povo pacífico, ordeiro e cumpridor da lei. Exigimos das autoridades uma apuração rápida, transparente e rigorosa, a fim de identificar e punir os responsáveis por esse crime. 

Nosso território sofre diariamente invasões e ataques por parte de exploradores ilegais de madeira ou de fazendeiros que insistem em manter a ocupação de partes da Terra Indígena Alto Rio Guama, através de cabeças de gado e de outras atividades econômicas. Há décadas lutamos contra essa violência e não vamos parar até que nenhum metro de nossa terra esteja ilegalmente ocupado. Não temos medo. A Constituição Federal protege nossos direitos e o Estado brasileiro precisa fazer cumprir o que manda a Lei maior. 

Apelamos às autoridades do Brasil e do mundo para que não nos deixem sós! 

Exigimos que Funai, MPF, Polícia Federal e todos os órgãos competentes venham até o nosso território e vejam o que passamos. 

Exigimos perícia no local do ocorrido. Exigimos resposta urgente pois não vamos nos calar e deixar que esse crime permaneça impune. 

Que a memória viva de Isac Tembé fortaleça nossa caminhada.
Que o espírito dos nossos ancestrais guie o povo Tembé-Tenetehara em
sua luta em favor da vida. 

Convocamos a imprensa e as autoridades para uma reunião pública, nesta segunda (15), às 10 horas, na aldeia São Pedro, Terra Indígena Alto Rio Guama, ocasião em que o povo Tembé decidirá o caminho da luta em busca de justiça.

Exigimos justiça ! 

Punição dos assassinos e mandantes da morte de Isac Tembé !

Terra Indígena Alto Rio Guama, 14 de fevereiro de 2021.

Associação: Indígena Tembé Das Aldeias Tawari e Zawaruhu”.

FONTE: Oliberal

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