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Cuidar dos animais que circulam pela Universidade Federal do Pará (UFPA), dando alimentos e conservando sua saúde, é o principal objetivo do projeto “Peludinhos”, que atende cães e gatos que ficam no campus de Belém da universidade. Dessa forma, é possível manter o controle populacional na instituição e melhorar a convivência com a comunidade interna e externa que circula pelo local. Com o isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus, o projeto ficou com menos voluntários e enfrenta dificuldades, como a falta de ração para os animais.

A iniciativa surgiu por meio da servidora pública Suely Palheta e foi intitulada, inicialmente, de “Projeto Vida Digna”. Ela se compadeceu dos pets que circulavam no segundo portão da universidade e começou a levar comida para eles. Como viu que outros cães e gatos iam atrás dos alimentos, decidiu expandir até o sexto portão. Logo após a criação, o projeto foi renomeado para “Peludinhos da UFPA”, e hoje agrega voluntários e parceiros à causa.

Coordenadora do grupo, Elizabete Pires conta que, em 2015, começou a fazer doutorado na UFPA e via os cães com muitas carências. Ela se aproximou dos animais, começou a ajudar e fazer mobilizações, até conhecer o projeto e passar a ser doadora.

“Quis conhecer, fui me aproximando e trabalhando no projeto, mas com um olhar voltado para a saúde pública. Sabemos que esses animais que não têm tutor e que não têm uma casa adequada para ficar são muito mais vulneráveis a doenças. Consequentemente, a convivência entre animais e humanos não é muito boa, porque essa assistência é necessária. Sou bióloga e tenho formação de mestrado e doutorado na área de saúde, então me interessei em cuidar da saúde deles, envolvendo uma boa alimentação, castração, vacinação, vermifugação e cuidando de doenças e ferimentos que apareçam”, conta a coordenadora.

Segundo Elizabete, a filosofia do projeto é dar dignidade aos animais – ao menos o mínimo para que eles possam coexistir com os humanos de maneira saudável. O último levantamento mostra que existem 255 cães atendidos pela equipe, já que, mesmo com mortes e adoções, muitos animais nasceram durante a pandemia. Hoje, o projeto tem dois grupos. Um deles tem 53 pessoas que se revezam em escalas: alguns vão para o campus básico da universidade, para alimentar, lavar vasilhas, checar os animais, sua saúde, e outros vão para o campus profissional fazer a mesma coisa. No final do dia, são feitos relatórios sobre os animais atendidos, informando se comeram ou não e se houve intercorrências de saúde. A partir disso, os que apresentaram algum problema são verificados, e em muitos casos um veterinário vai até o local, de forma remunerada. Se necessário, o cão ou gato faz coleta de sangue e até fica internado em clínicas.

O outro grupo, bem menor, cuida dos animais que estão no abrigo. Alguns deles foram recolhidos por hostilidade e porque não conseguiam conviver em sociedade, outros têm doenças, como epilepsia, deficiência mental, deficiência visual e outras sequelas, e ficam restritos lá.

“Somos três pessoas fixas dentro do abrigo e alguns voluntários que vêm nos ajudar, mas não temos muito apoio, não temos escala, saímos do trabalho e vamos lá limpar, dar remédio. Isso exige muita dedicação e amor, porque eles dependem da gente, não tem feriado, é de domingo a domingo”, ressalta a voluntária. Mas ela diz que, apesar das dificuldades, o grupo fica muito feliz quando os animais conseguem um lar ou quando a ração do mês está garantida. “Tudo isso é motivo de alegria porque chega para eles na forma de material e de carinho”.

Desafios ainda são muitos

Atualmente, o projeto está incapacitado para atender animais de fora da UFPA. Em mais de 20 anos de existência, as atividades são mantidas unicamente por meio de doações e voluntariado. Todos os meses, cerca de 500 quilos de ração são consumidos pelos “peludinhos”, entre cães e gatos, filhotes e adultos. Esse é um dos maiores desafios, já que a demanda é sempre constante. Além da comida, a sociedade civil também doa material de limpeza, lençóis, camas, medicamentos e outros itens necessários.

Outro problema, segundo a equipe do projeto, é a estrutura do abrigo. Mesmo com a construção recente de baias novas para colocar os animais, já que as antigas estavam desabando, os problemas continuam, porque o grupo é carente e prioriza a alimentação e a castração. “Não podemos pegar um animal recém-operado e deixá-lo na umidade, por exemplo. Nossa estrutura é precária, precisamos fazer uma revitalização para que o espaço fique mais adequado e para que eles tenham mais saúde”, enfatiza Elizabete.

Além dos cães, há também uma grande quantidade de gatos, que são abandonados e adotados provisoriamente pelo projeto. Mas a coordenadora conta que isso também é motivo de preocupação, porque o espaço não é adequado para gatos e eles ficam soltos, correndo risco de morte. A voluntária diz que são duas frentes completamente diferentes e que as necessidades de cães não são as mesmas dos gatos. Como a equipe acredita que os animais são de responsabilidade de todos que constituem a universidade ou que nela transitam, cuidando da saúde dos peludinhos, o grupo também cuida da saúde da comunidade acadêmica.

Para ajudar o grupo, é possível doar em dinheiro – basta acessar o link app.picpay.com/user/elizabete.pereira.pires. Também há a opção de fazer transferência ou depósito bancário, pelas contas do Banco do Brasil (agência: 3074; c/c: 11809-5) ou do Nubank (agência: 0001; c/c: 61671718-2), sendo que as duas são para Elizabete Pires, no CPF: 212.028.422-91. Quem preferir fazer as doações pessoalmente, pode ir até os pontos de coleta: no segundo portão da UFPA, próximo ao ginásio de esportes, pela avenida Perimetral, e entregar para Angelita; ou no edifício Rio de La Plata, localizado na avenida Conselheiro Furtado, 1.574, apartamento 2002, entre avenida Generalíssimo Deodoro e rua Quintino Bocaiúva, e entregar para Elizabete. Outra forma de ajudar é por meio da adoção; basta falar pelo número (91) 98207-6665. Os itens essenciais são ração para cães e gatos (adultos e filhotes), material de limpeza, bacias a baldes.

Adoção é um ato de amor

Entre tantas pessoas que adotaram cães e gatos por meio do projeto, a professora Kelly da Costa, de 36 anos, é apaixonada por animais e conheceu a equipe por meio das redes sociais. Ela já teve quatro gatos e seis cachorros e sempre conviveu com os “peludinhos” desde a infância. Recentemente, no último domingo (29), ela adotou uma cadela por meio do projeto, a Léia, que vai fazer companhia à outra que Kelly já tinha: Vitória, de 11 anos.

“Eu quis adotar pelo amor que tenho peles animais. E também porque temos uma em casa e ela já está idosa, e minha mãe, que se recupera de uma cirurgia de aneurisma, não pode ficar sem um animal de estimação em casa. Eles alegram a nossa vida, nos tornam pessoas melhores, pois eles são companheiros leais e fiéis e, quando conquistada sua lealdade, é eterna. Ter um bichinho é ter um grande amigo para te acompanhar em todas as aventuras e nos momentos tristes também”, ressalta a professora.

Kelly ainda destaca que adotar é um ato de grande responsabilidade, porque, muitas vezes, a vida do animal é salva, já que poderia ficar nas ruas, abandonado, com fome e sofrendo maus tratos. “Adotar um animal nos torna pessoas melhores, eles são seres incríveis e parceiros para todas as horas. Quem adota um animal ganha um amor verdadeiro, sem interesses e recheado de companheirismo e felicidade. Se eu pudesse, teria muitas Léias e Vitórias em minha vida”, diz. No futuro, ela ainda pretende adotar outro animal.

 

FONTE: Oliberal

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