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Diversos setores da economia devem ser afetados com a suspensão do Carnaval deste ano. A nível nacional, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) apontou que o cancelamento das festas impactou a perda de R$ 8,1 bilhões. Entre os setores, o turismo é um dos mais afetados, já que as praias locais estão fechadas e, sem o ponto facultativo tradicional de todos os anos, não é grande o número de turistas no Estado.

Especificamente no setor do turismo, o assessor jurídico do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares do Estado do Pará (SHRB-PA), Fernando Soares, diz que os feriados, em regra, tendem a alavancar as empresas do interior, especial nas cidades balneárias. No Carnaval, por exemplo, quem mora em Belém, geralmente, utiliza os cinco dias de folga para viajar a essas praias, gerando gastos com alimentação, bebida e lazer. Agora, quem vai até essas cidades precisa ficar dentro de casa, já que o governo estadual proibiu a circulação em praias.

“Não faz sentido. Quando se suspende o feriado, não implica dizer que haverá um consumo grande dentro da capital, nem que as pessoas não vão viajar. Só diminui a quantidade. Mas, por outro lado, isso esvazia as cidades do interior. Todas as empresas tiveram problemas no ano passado por conta do lockdown, das barreiras sanitárias, da proibição de abertura de praias. É uma medida que deveria ser melhor analisada, é muito extrema”, argumenta Fernando.

Para ele, o maior problema é a falta de informações técnicas que permitam dizer que praias, restaurantes, bares e afins são os grandes responsáveis pelas altas taxas de contaminação pela covid-19.

“Eles deveriam dizer, por exemplo, que ir a um bar implica em um aumento de ‘x%’ da contaminação, ou que as praias representam ‘y%’ de contágio no Pará. O exemplo mais claro é julho do ano passado, em que as praias foram liberadas e não houve um contágio absurdo em agosto. Eles fazem uma demonstração equivocada de que nesses locais há um contágio maior. Em Nova York, há 20 milhões de habitantes e uma pesquisa detectou que os restaurantes representam apenas 1,4% da contaminação, enquanto mais de 70% do contágio se dá em eventos com amigos, festas e reuniões em casa”, aponta o assessor.

Como explica o economista Genardo Chaves de Oliveira, a suspensão do feriado de Carnaval afeta trabalhadores formais e informais, principalmente os setores de serviços, comércio, turismo, hotéis, gastronomia, espaços culturais privados, serviços de transportes e meio artístico como um todo.

“A interferência se amplia aos mecanismos de governança dos mercados em um momento delicado para o Brasil, alterando e afetando os principais indicadores. Quer dizer que uma cadeia cíclica específica generaliza a crise, ampliando o déficit econômico, pois não atende uma grande demanda de um feriado anual que supre o povo brasileiro”, comenta.

Esse comportamento, segundo o especialista, pode gerar um efeito mais grave na economia. Com o dólar alto, alteração nos preços da cesta básica, aumento abusivo de produtos alimentícios e medicamentos, aumento do combustível, alterações climáticas gerando crise dos recursos naturais e cadeia alimentícia, muitos empresários podem optar pelas demissões.

“Como todos os acontecimentos encadeados pela pandemia são recentes, não possibilitou o brasileiro se reinventar, se adaptar e criar possibilidades novas com a mudança do comportamento humano em 2021. Aqueles que se planejaram e buscaram inovar e se recriar em uma co-criação que visualizou o ‘novo normal’ terão êxito com esforço. Mas, como foi demonstrado pela CNC, a previsão é de que mais 70 mil postos de empregos deixaram de ser gerados. Teremos que somar com os 14 milhões de desempregados agora no início do mês de março”, pontua. Além disso, Genardo afirma que a crise das vacinas e a lentidão durante o processo diminui a credibilidade brasileira no cenário internacional e se caracteriza como um grande divisor da desigualdade dos países.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado de Turismo (Setur), mas ainda não obteve retorno quanto às perdas econômicas no Pará.

FONTE: Oliberal

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