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Um dos impactos da pandemia do novo coronavírus, que desencadeou uma série de problemas econômicos, foi a alta do preço dos materiais de construção. Segundo estudo da Confederação Nacional da Indústria, divulgado na última segunda-feira (25), a falta de insumos e o custo elevado foram os principais problemas enfrentados pelo setor de construção no quarto trimestre do ano passado, apontados por 50,8% dos entrevistados. Em seguida, aparecem a elevada carga tributária e a burocracia excessiva, com, respectivamente, 26,8% e 24,1% das respostas.

O presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Estado do Pará (Sinduscon), Alex Carvalho, afirma que este cenário vem ocorrendo também no Estado. O desabastecimento da indústria, segundo ele, impacta no ritmo das obras, provocando atrasos e lentidão, e causa uma preocupação em relação ao aumento de preços. “Temos pesquisas que apontam altas excessivas e inoportunas, no momento em que a indústria deveria dar as mãos para buscar um equilíbrio e a retomada da economia. O argumento é que há pressão do mercado externo, já que alguns produtos são commodities. Para se ter uma ideia, alguns itens foram reajustados em até 70%, com destaque para o aço, cimento, cabos elétricos, material de PVC e louças, entre outros”, ressalta.

Preços altos

Com a chegada do novo ano, era de se esperar que os preços caíssem, especialmente no início do período chuvoso em Belém. Porém, Alex expõe que as altas continuam ocorrendo. Um dos impactos deste cenário, de acordo com o presidente do Sinduscon, é a quebra do ciclo de retomada da construção civil e também de empregos, já que será preciso cortar gastos. Em segundo lugar, há ainda o reflexo no custo das obras. Ou seja, com materiais mais caros, a obra custa mais para ficar pronta, o que resultará no reajuste de preços dos imóveis.

Em terceiro lugar, há o impacto sobre a população – quem busca fazer reformas em casa, especialmente as pessoas de baixa renda, que sofrem mais com os aumentos. “Sabemos que há uma necessidade reprimida da pandemia, embora muita gente tenha usado o auxílio para reformar espaços, até porque o home office trouxe a ideia de melhorar suas casas para trabalhar com mais conforto. Porém, o governo federal precisa reduzir taxas de importação, para que o mercado busque fornecedores externos até que a indústria nacional se adapte para não penalizar tanto o mercado interno”, enfatiza Alex.

Demanda

Já o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Materiais de Construção (Sindimaco), Salim Bouez, dono de um estabelecimento do ramo em Belém, diz que não houve alteração de preços em 2020 capaz de enfraquecer as vendas na capital, nem falta de insumo. “Agora, em janeiro, houve uma redução significativa na demanda. Não sei dizer o que ocorreu, se foi falta de incentivo do governo com o fim do auxílio emergencial, mas várias lojas de material de construção sofreram retração. No fim do ano, foram ótimas as vendas. Agora estão horríveis”, afirma o profissional. A previsão de Salim para o primeiro trimestre é de que seja menos bem sucedido que o mesmo período do ano passado.

A aposentada Aurora Caldas, de 63 anos, precisou fazer uma reforma em um banheiro de sua casa no ano passado e conta que não gastou muito. “Achei bem em conta. As cerâmicas comprei em uma loja onde o material era mais barato. Mas o resto comprei em outro estabelecimento, porque não sabia dos preços. A única dificuldade foi achar cerâmica branca, que era a cor que queria”, diz.

Consumidor

Já o advogado Lucas Sampaio, de 30 anos, teve uma experiência contrária, e achou os materiais de construção muito acima do preço. “Achei que está caro demais. Pensei que, por estar de quarentena sem sair de casa, ia aproveitar as economias para a obra que fiz. E as justificativas são as mais absurdas possíveis, falam de dólar, de lockdown, de escassez do mercado, mas é só uma forma de aumentarem o lucro. Tijolo subiu 150%”, relata o consumidor.

Por conta dos altos preços, Lucas acabou gastando mais do que pretendia. Mesmo pesquisando em vários estabelecimentos, ele diz que o reajuste nos preços foi geral em Belém. “Belém não tem uma gama muito grande de lojas, se resumem a quatro ou cinco que têm alta variedade. E as opções de marcas para escolher diminuíram bastante. Com certeza gastei mais do que desejava, principalmente porque os insumos todos subiram de preço, como cimento, tinta e materiais básicos”, finaliza.

 

FONTE: Oliberal

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